Supervisão de Estágio no Hospital de Ensino Público: tensão entre saberes e temporalidades

Autores

  • Edna Maria Goulart Joazeiro

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v5i1.924

Resumo

O Hospital de Ensino, como as demais áreas do campo da saúde, é um espaço social complexo, saturado de normas, saberes, tecnologia, relações de poder e de constante contato com o “objeto” vida/morte. Nele, a luta pela defesa da vida está em tensão permanente com a heterogeneidade da estrutura epidemiológica, com a ampliação da demanda e com o agravamento das múltiplas expressões da questão social que marcam a vida na sociedade moderna. Nesse meio, a formação para o trabalho das diversas profissões é marcada pelo encontro/confronto com diversas lógicas, saberes e temporalidades. O artigo analisa o encontro entre experiência e conhecimento que se realiza na atividade do supervisor de campo de estudantes-estagiários durante o estágio supervisionado em Serviço Social no hospital de ensino público. Enfatiza que, como nas demais profissões da saúde, o supervisor de estágio enfrenta o desafio de fazer da atividade de trabalho o locus onde ensina a cuidar da vida do outro. Utilizando as ferramentas conceituais da Ergologia - ECRP, corpo-si, dramáticas do uso de si - coloca em discussão a concepção vigente do estágio como “campo de treinamento” por julgá-la herdeira de outra lógica, a do trabalho como execução. Explicita a relação de interdependência e de indissociabilidade entre os conhecimentos da disciplina epistêmica (polo 1), da disciplina ergológica (polo 2) e a tensão permanente entre os valores semdimensão e os dimensionáveis (polo 3). Aponta que na atividade de supervisão, os saberes de natureza híbrida são tensionados por diversas temporalidades que circulam nesse ECRP.

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ARTIGOS ORIGINAIS