A implementação do Curso de Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia: da criação até a formatura da primeira turma.

Autores

  • Marcelo Eduardo Pfeiffer Castellanos
  • Guilherme Sousa Ribeiro
  • Monique Azevedo Esperidião
  • Ana Cristina Souto
  • Karina Cordeiro de Jesus
  • Cíntia Clara Guimarães da Silva
  • Eduardo Luiz Andrade Mota
  • Isabela Cardoso de Matos Pinto

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v7i3.1394

Palavras-chave:

Curso de Graduação em Saúde Coletiva, Saúde Coletiva, Saúde Pública, Educação, Ensino Superior.

Resumo

A criação dos Cursos de Graduação em Saúde Coletiva (CGSC), com uma configuração interdisciplinar e fortemente compromissada com o Sistema Único de Saúde (SUS), inaugurou uma nova maneira de ensinar Saúde Coletiva e ampliou substancialmente a capacidade brasileira para formar sanitaristas para atuar no SUS. O Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBa) foi pioneiro na defesa da criação desta modalidade formativa e abriu, em 2009, o seu CGSC. Em 2013, a primeira turma de alunos do CGSC/ISC/UFBa recebeu o grau de Bacharel em Saúde Coletiva. A consolidação desta nova modalidade formativa no ISC-UFBA e em outras Universidades do Brasil traz a necessidade de refletirmos sobre a experiência obtida na implementação destes cursos. Este artigo tem como objetivo descrever e refletir sobre o processo de implementação do CGSC no ISC/UFBA, sob a perspectiva de um grupo de docentes e discentes que participou do Colegiado do Curso, desde a sua criação até a conclusão da primeira turma. Espera-se que este relato seja útil como meio de troca de experiência com outros Cursos semelhantes, ao identificar desafios tanto para a consolidação desta nova modalidade formativa em Saúde Coletiva.

Biografia do Autor

Marcelo Eduardo Pfeiffer Castellanos

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1996), mestrado (2003) e doutorado (2007) em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente, é professor adjunto no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Ciências Sociais, atuando principalmente nos seguintes temas: sociologia do adoecimento crônico, ciências sociais em saúde, saúde coletiva, pesquisa qualitativa, atenção primária em saúde.

Guilherme Sousa Ribeiro

Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (2002), Residência em Infectologia pela Universidade Federal de São Paulo (2006), Mestrado em Epidemiologia pela Harvard School of Public Health (2007) e Doutorado em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa pela Fundação Oswaldo Cruz (2008). Desde 2009 é Professor Adjunto do Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, onde também atua como Professor Permanente da Pós-Graduação em Saúde Coletiva e Coordenador do Colegiado do Curso de Graduação em Saúde Coletiva. Em 2012, assumiu a Coordenação Geral do Fórum de Graduação em Saúde Coletiva da ABRASCO. Desde 2009 é Pesquisador Colaborador e Professor Permanente da Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa da Fundação Oswaldo Cruz. Entre 2011 e 2012, foi Professor Visitante e desde 2012 é Adjunct Assistant Professor da Yale School of Public Health, EUA. Desde 2013 atua como Editor Associado da revista científica PLoS Neglected Tropical Diseases. Tem experiência na área de epidemiologia e epidemiologia molecular de doenças transmissíveis, atuando principalmente no estudo de doenças associadas à iniquidade social e à pobreza urbana.

Monique Azevedo Esperidião

É Professor Adjunta do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (2002), Mestrado em Saúde Comunitária (2004) e Doutorado em Saúde Pública (2009) pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA). Realizou estágio doutoral no Centro de Sociologia Européia da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (CSE/EHESS), em Paris, França (2008-2009). É pesquisadora do Diretório de pesquisa de Planificação, Gestão e Avaliação do CNPq. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Avaliação em Saúde, atuando nos seguintes temas: avaliação de políticas científicas em saúde, análise de políticas intersetorias de saúde, avaliação de satisfação de usuário, acessibilidade e acolhimento. É membro da ABRASCO (GT Trabalho e Educação em Saúde) e do CEBES. É membro titular do Comitê de Ética em Pesquisa da SESAB (CEP/SESAB) e suplente (ISC/UFBA).

Ana Cristina Souto

Possui graduação em Nutrição pela Universidade Federal da Paraíba (1985), mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (1996) e doutorado em Saúde Pública pelo Instituto de Saúde Coletiva/UFBA (2007). Atualmente é professor adjunto I do Instituto de Saúde Coletiva/UFBA. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, atuando principalmente nos seguintes temas: vigilância sanitária, formação em saúde, políticas e e gestão em saúde.

Karina Cordeiro de Jesus

Aluna da Graduação em Saúde Coletiva, desde 2010.1, estando membro da Coordenação Nacional dos Estudantes de Saúde Coletiva(CONESC), sendo o segundo ano de gestão, e atualmente representante discente na Coordenação Geral do Fórum de Graduação em Saúde Coletiva da ABRASCO.

Cíntia Clara Guimarães da Silva

Bacharel em Psicologia (2010) pela Faculdade Ruy Barbosa (Salvador-BA) e cursando a Graduação em Saúde Coletiva no Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFBA. Realizou cursos e participou de congressos que propuseram como tema a saúde do indivíduo ou da população, tendo ainda experiência de estágio em atendimento clínico no Núcleo Assistencial à Pessoas com Câncer (NASPEC) e no Serviço de Psicologia da Faculdade Ruy Barbosa. Foi estagiária bolsista ao projeto Acessibilidade às Ações de Atenção Primária e Adoção de Hábitos Saudáveis em Populações Cobertas pelo PSF do GRAB (Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica em Formação e Avaliação da Atenção Básica) no ISC. Atuou como estagiária bolsista na Coordenação de Projetos Especiais (COPE) na Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) e recentemente desenvolveu seu estágio curricular na Diretoria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (DGTES) da Superintendência de Recursos Humanos SUPERH/SESAB, mais especificamente no coletivo MobilizaSUS. Sua área de interesse consiste na interface entre Psicologia e Saúde Coletiva, no desenvolvimento de práticas de fortalecimento da participação popular e controle social em defesa e pela consolidação do SUS

Eduardo Luiz Andrade Mota

Professor Associado IV do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Foi Diretor do ISC-UFBA, Gestão (2009-13). Graduado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1974), realizou Mestrado em Saúde Pública em Harvard University (1979), Doutorado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1988) e Pós-Doutorado em Epidemiologia na University of North Carolina-Chapel Hill (1990). Foi Secretário de Saúde do Município de Salvador, Bahia (1993-96), atuou no Ministério da Saúde (1997-98) e na Agência Nacional de Saúde Complementar (2002-04). Membro da RIPSA e do GTISP-ABRASCO, desenvolve atividades docentes, de extensão e pesquisa nas áreas de Epidemiologia, Informação em Saúde, Análise de Situação em Saúde e Saúde Materno-Infantil.

Isabela Cardoso de Matos Pinto

Professora Adjunta do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (1991) e doutorado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2004). Atualmente é Coordenadora do GT Trabalho e Educação na Saúde da ABRASCO.Tem experiência na área de políticas sociais, com ênfase em Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: processo decisório, ciclo de política, gestão, avaliação, políticas públicas e política de saúde, gestão do trabalho e da educação na saúde, recursos humanos em saúde.

Referências

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Publicado

2013-11-02